terça-feira, 19 de maio de 2015

Contrast

14:00:00 Escrito por Nyu , , ,
Usar as sombras para pular de um lado para outro na cidade foi uma ideia interessante.

Alias, histórias que se passam nas épocas do cabaré me chamam muita atenção, seja pelas musicas da época, seja pelo clima noir, ou só pelos dramas dos personagens. E é exatamente esse clima que o jogo traz, e é isso que o faz interessante e encantador.

Contrast é um jogo indie criado pela Compulsion Games, lançado em Outubro de 2013 para Xbox 360, Xbox One, Playstation 3, Playstation 4 e PC.

Historia

Você controla Dawn, uma mulher acrobata misteriosa que vive em um mundo bizarro. Didi é a unica pessoa que pode vê-la, pois Dawn é a amiga imaginária da garota.

A história de Didi é um pouco complicada: sua mãe é uma das dançarinas e cantoras do cabaré da cidade, que separou-se recentemente de seu marido por motivos de dívidas e envolvimentos com pessoas estranhas. Mas a garota deseja que eles voltem a ficar juntos, e por isso ela resolve ajuda-los em seus problemas de adultos.


Porém, nem tudo parece ser tão simples assim. Por causa de suas atitudes, sua mãe está sendo intimada pela assistência social para cuidar melhor da garota ou então ela será retirada de sua guarda, fazendo com que a mulher imponha a garota alguns limites, que obviamente são quebrados pela peralta, com a ajuda de Dawn.

Mas após ouvir uma estranha conversa de sua mãe com seu pai, ela decide ir atrás do famoso ilusionista Vincenzo, seu ídolo, para descobrir algumas coisas que começaram a lhe incomodar. E nesta busca, ainda existe um mistério ao redor de Dawn, que talvez nem ela mesma saiba disso.

Personagens

Todos os personagens são um mistério e pouco sabemos sobre Didi e Dawn. A maioria são apresentados como sombras, e do pouco que sabemos como são fisicamente aparecem em cartazes e quadros espalhados pelos jogos, mas só dos mais importantes.

Didi é uma garota muito agitada e sempre está aprontando alguma. Ela sonha em ser uma dançarina
do cabaré assim como é sua mãe, e tem muito orgulho de sua amiga Dawn. Sempre conversa com a mulher, além de ser a única que consegue vê-la, tentando resolver os problemas dos adultos por mais simplória que seja sua performance. Ela é praticamente um dos maiores mistérios do jogo, principalmente depois de perceber a realidade ao seu redor (atenção, spoiler): Se existem dois mundos, como ela consegue habita-los ao mesmo tempo? E o que Vincenzo, seu provável pai, sabe sobre isso? São perguntas não respondidas no jogo, ou talvez sejam, nos detalhes que passam despercebidos numa primeira jogatina.

Dawn é a personagem controlável. Ela é muda, ou pelo menos nunca pronunciou uma palavra sequer, e segue todas as ordens da garotinha. A unica coisa que ela consegue ver das outras pessoas são suas sombras, mostrando a solidão que ela vive naquele mundo. Não sabemos praticamente nada sobre ela, não sabemos se é uma simples amiga imaginaria da garota ou algo mais complexo. A unica coisa que descobrimos é que ela entra em sombras, usando isso como seus poderes para interagir com aquele mundo bizarro em que habita.

Há a família de Didi. Sua mãe canta no cabaré perto de sua casa, é separada do marido por conta dos negócios em que ele se meteu. Ela tenta ser uma boa mãe para a garota, mas possui muitos problemas pessoais que tenta esconder dela para que não sofra. Seu pai sempre entra em rolos com pessoas estranhas, e já teve problemas na justiça por causa disso. Parece ser um homem que quer o sucesso com as coisas que ele sempre sonhou, mas tudo parece dar errado. Quer voltar para sua esposa, e fará de tudo para reconquistar a confiança dela.

Vincenzo é um ilusionista muito famoso, que tem uma grande proximidade com os pais de Didi. Ela nunca o conheceu pessoalmente, mas seu fascínio por ele é enorme, fazendo-a desobedecer sua mãe para poder vê-lo em seu espetáculo. Ela descobre algo importantíssimo sobre ele, já tirando conclusões precipitadas, corre atrás do homem pra descobrir toda a verdade. Ele está por trás de quase todos os mistérios do jogo.

Jogabilidade, músicas e gráficos

A jogabilidade tem seus altos e baixos. Os controles são fáceis e em poucos botões você faz sua ação, mas o problema reside na movimentação da câmera. É necessário ajustá-la para não ficar ultra sensível, e muitas vezes o angulo da câmera pode faze-lo cair das plataformas. Porém os pulos, um dos elementos principais do jogo, conseguem ser competentes, assim como a entrada nas sombras, e é neste momento que o jogo fica em 2D. A unica coisa estranha é a física do jogo, talvez por causa do clima de mundos paralelos seja proposital, afinal de contas, Dawn consegue levantar coisas que aparentemente deveriam ser pesados, mas são mais leves que uma bola de ping pong. Se isso é incomodativo? Vai depender de cada um, mas creio ser parte do mundo do jogo.


Os gráficos são bons e todos os personagens bem modelados e bem caracterizados para a época em que a história se passa. No entanto, para o ano de lançamento, ele parece um jogo muito polido de Playstation 2. Mas uma coisa é certa: a concept art é linda. Assim como muitas outras artes feitas para o jogo. Normalmente ele é jogado em 3D, mas quando precisamos entrar nas sombras, ele se torna 2D, embora isso não traga qualquer diferença no jogo.

As músicas são um show a parte. O clima dado é dos tempos do cabaré. Todas as músicas, tocadas ou cantadas, são bem marcantes e acertam em todos os momentos. É um tipo de música que você pega para por em sua playlist e ouvi-la várias vezes. Elas se encaixam perfeitamente no ambiente e nas situações, foi um dos elementos mais chamativos do jogo.

Minha opinião

Contrast é um jogo bacana de plataformas e puzzles em 3D, com uma história divertida e intrigante, cujo final surpreende. A forma de utilizar as sombras dos objetos para resolver puzzles, chegar em lugares difíceis, etc foi legal, porém, além do tempo de jogo ser curto - uma média de 4 horas -, os puzzles não são tão desafiadores, o que pode tirar um pouco o fator replay, pois uma vez sabendo como faz para resolver algo, o jogo se torna muito mais curto do que já é.

Eu gostei, mas acho que poderiam ter aproveitado melhor a temática do jogo, explorando mais a ideia do uso de sombras e da história. No entanto, eu recomendo para aqueles que gostam de de uma história intrigante.

Magazine Covil Geek - Nossa Lojinha