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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Braid

12:00:00 Escrito por Nyu , ,

Eu gosto de jogos de Puzzle, principalmente quando eles vem com uma história interessante, como é o caso. Alias, se você quer ver a história mais não tem paciência para os puzzles, eu fiz o gameplay que você pode conferir no vídeo no final da postagem. Então, do que se trata o jogo?

Braid foi lançado em 2008 para Xbox 360, Playstation 3, PC, Linux e Mac.

Você é Tim, um rapaz que está a procura de uma Princesa. Inicialmente não sabemos nada sobre ele ou seus motivos para ir atrás da garota, mas sabemos que por algum motivo eles brigaram, e ele está disposto a consertar o que fez no passado. Conhecemos a história através de livros que aparecem antes de cada mundo, contando um pouco sobre acontecimentos na vida de ambos. No início não parece ter muito sentido, principalmente já que o jogo começa no 2º mundo, mas conforme você avança, tudo começa a se encaixar, e descobrimos algo surpreendente por trás da versão da história narrada por Tim. Para prosseguir, entretanto, você deve pegar os pedaços do quebra-cabeça.


Sobre sua jogabilidade, ele é um jogo bem simples e fácil. Os movimentos são fluidos, e a construção das fases e seus elementos. Espere ter trabalho para descobrir como pegar cada peça dos quebra-cabeças.

Cada mundo possui um tema, e ele será parte importante dos puzzles. Os mundos possuem fases únicas, mostrando a diversidade e a preocupação do criador quando elaborou o jogo. A trilha sonora é ótima, é uma coisa que não dá para passar despercebida, já que você provavelmente gastará um bom tempo pensando nas soluções dos puzzles mais complexos.

A arte é impressionante e cada elemento do cenário parece ter sido feito a mão, mesmo que sua jogabilidade de plataforma 2D lembre jogos mais antigos. Não há variedade de inimigos, mas isso não é nem de longe um ponto fraco, pois até mesmo eles tem alguma representação para a história. Os puzzles, por outro lado, são impressionantes, exigindo muito raciocínio por parte do jogador conforme avança por mundos em que a manipulação do tempo se torna mais e mais estranha.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Para Jogar com os Amigos

14:00:00 Escrito por Nyu , , , , ,
Há uma diversidade de jogos no mundo, desde aventura, tiro, RPG, até os que usam a mídia para contar uma história e os de simulação, das mais normais às mais bizarras. Em boa parte deles você se diverte sozinho, porém alguns são mais divertidos – se não recomendados – em dupla ou grupo.

E pensando nesses vários jogos, resolvemos fazer esse artigo. Boa parte deles podem ser jogados em modo cooperativo online ou local, e alguns até mesmo em competitivo.

Castle Crashers

Desenvolvido pela The Behemoth em 2008, com versões para PC, Mac, XBox 360, XBox One e PS3. Salvar as princesas é uma tarefa relativamente fácil, mas seguir em grupo a aventura se torna muito mais épica. Tudo começa quando as filhas do rei são raptadas com um mago maligno, que também rouba o cristal do trono. Os cavaleiros reais se unem para, através de uma longa jornada, encontrar cada uma delas e regatá-las. Mas não pense que será algo fácil. Atravessando florestas, pântanos, áreas vulcânicas, cavernas, fábricas, locais nevados e campos floridos, você vai ter que socar diversos servos do mal em sua busca, e ainda vai bater em seus amiguinhos pelo direito de receber um beijo das moças.

O jogo segue um estilo beat 'em up bem clássico, e os personagens têm combos de ataques fracos e fortes no chão, ataques durante o pulo, arco, escudo e magias. Existe também um sistema de evolução, em que você pode aumentar seu dano, vida, magia ou velocidade. As armas e mascotes que você escolhe também influenciarão durante as fases. E embora durante boa parte você só tenha que andar pra frente e socar mais monstros, se prepare para alguns momentos diferentes, como as lutas de chefe, bem criativas e interessantes, ou até mesmo cavalgar um cervo cagão por uma serraria.

O jogo conta com Arena para que os jogadores possam lutar entre si, muitos personagens para desbloquear e uma imensa galeria de armas e mascotes para encontrar durante as fases. Permite até 4 jogadores tanto em local quanto online.


BattleBlock Theater

Desenvolvido pela The Behemoth em 2013, com versões para PC, Linux e XBox 360. Mesmo que você possa jogar sozinho, tudo se torna mais divertido quando um amigo entra para ajudá-lo a passar de mapa. A história começa quando Hatty Hattington e seus amigos foram viajar de barco, até que depois de serem pegos por uma tempestade, foram parar em uma ilha estranha. Lá, gatos nativos pegaram toda a tripulação e fizeram de prisioneiros, enquanto colocaram uma estranha cartola em Hatty, fazendo-o mudar drasticamente. Agora você participa de um teatro maligno que tenta te matar a todo instante, mas seu objetivo é sair dali junto com seus amigos e salvar Hatty Hattington da maldição que lhe dominou.

Para salvá-lo, vocês deverão passar por oito capítulos, todos com onze fases normais e duas fases “chefão”. Cada um deles também possui três fases extras, cujo objetivo é passar antes que o tempo acabe. Em cada fase você deve pegar todos os cristais verdes e o novelo de lã, para assim liberar o caminho, além de poder trocá-los por novas cabeças e armas. Basicamente é puzzle de plataforma que exige cooperação entre os jogadores.

Além do modo história, ele traz o modo Arena, que possui minigames divertidos para jogar com amigos ou sozinho, que premiam com mais cristais verdes. Ele inclui modos como quem pinta mais os blocos da fase, quem soca mais o outro, jogar um tipo de handball, entre outros. Comporta até 4 jogadores, formando duplas para se enfrentar. Também há o criador de fases, que você pode fazer a sua do jeito que quiser com as ferramentas do jogo.

Monaco

Desenvolvido pela Pocketwatch Games em 2013, foi lançado para PC, Mac, Linux e XBox 360. Roubar prédios, lojas, bancos podem ser divertido, mas quando está com os amigos, a coisa fica mais fácil. Tudo começa quando seu grupo de ladrões escapa da prisão e voltam a ativa. Seu objetivo é roubar vários lugares sem ser visto, usando as diferentes habilidades de cada personagem, m combinações de até quatro ladrões. Você vai encontrar policiais, cachorros, civis e seguranças, mas seus maiores oponentes serão sistemas de alarme, portas trancadas e até você mesmo. A cooperação é essencial para o sucesso do roubo.


Há oito classes distintas, e você vai querer montar uma específica para cada missão em que entrar. Temos o Locksmith que destranca portas; a Lookout cujo único poder é visualizar onde estão os inimigos, e compartilhar isso com seus aliados; o Pickpocket, que possui um macaquinho que pega as moedas nas proximidades do personagem; o Cleaner, que apaga momentaneamente personagens que não o perceberam; o Mole, que quebra as paredes com sua marreta, fazendo assim passagens alternativas no cenário; o Gentleman, um senhor que se disfarça e consegue passar despercebido por qualquer um; o Hacker, que desativa alarmes e computadores; e por fim a Redhead, uma ruiva que seduz personagens do cenário para que esses a acompanhem.

As fases se concentram tanto no roubo geral quanto na linha de história de cada um dos personagens citados. Elas podem ser rápidas ou demoradas dependendo de quantas pessoas você tem no grupo e como agem em equipe. Além do modo normal, existe o modo zumbi, onde todas as pessoas se transformam em zumbis e agora, além de roubar, você precisa se cuidar para não ser devorado.

Spelunky

Desenvolvido pela Mossmouth em 2008, com versões para PC, Mac, XBox 260, PS3, PS4 e PS Vita. No papel de um explorador, você deve descer em uma tumba no deserto para encontrar um grande tesouro. Atravesse cavernas, selvas, geleiras, templos de ouro, intestinos de vermes gigantes e outros cenários, enfrentando tipos variados de monstros, encontrando gemas e outros e coletando equipamentos que vão desde picaretas até armas laser e teletransportadores em busca do verdadeiro tesouro que as profundezas escondem.

É um jogo de plataforma bem simples, e você conta com pulo, pegar e arremessar objetos, jogar bombas, pendurar cordas, e mais pra frente até usar armas. Enfrentando ou evitando inimigos e monstros, seu objetivo é recolher tesouros na fase e chegar a saída. Mas não ache que isso será simples: cada fase é sempre gerada aleatoriamente, e se você demorar muito, um fantasma ainda virá atrás de você, e te mata só com um toque.

Além disso, o jogo ainda conta com vários personagens para desbloquear e um livro de coletáveis, com tesouros, itens e inimigos. O jogo suporta até 4 jogadores, mas só local.

Hammerwatch

Desenvolvido pela Crackshell em 2013, para PC, Mac e Linux. Um grupo de aventureiros decide ir para uma dungeon, conquistar tesouros, cair em armadilhas, enfrentar monstros. Monte uma equipe de quatro pessoas com várias classes: paladino, mago, ranger, ladrão, bruxo e sacerdote, e então se prepare. Todas as classes têm um ataque básico e um especial, que consome a mana. O jogo ainda é bem customizável, e ao iniciar a partida você pode usar várias opções, como mana se regenerar sozinha, vida regenerar mais rápido, mais vidas, etc, e você pode salvar partidas para continuar elas mais tarde, caso alguém precise sair.

O jogo tem visão de cima, e você deve enfrentar grandes quantidades de inimigos, chefes com muita vida, evitar armadilhas, resolver puzzles, conseguir dinheiro para dar upgrade em seu personagem. Além disso, você pode escolher diversos modos: duas campanhas, uma de invasão de masmorra e outra realmente com uma história no deserto, modos de tower defense, entre outros. O jogo tem suporte para até 4 jogadores.


Abyss Odyssey

Desenvolvido pela ACE Team em 2014, com versões para PC, XBox 360, PS3 e PS4. Os sonhos de um bruxo estão afetando a realidade, e você precisa entrar nas crateras e descer para o submundo enfrentar as criaturas que apavoram a cidade. Os próprios personagens são parte desse pesadelo, o que explica suas capacidades sobre humanas e sua coragem – eles não podem morrer de verdade, e acabam voltando a vida na cidade. Junto com os soldados, você desbravará a tumba, enfrentando criaturas, encontrando novas armas, outros dispostos a ajudar, e até alguns seres com motivação misteriosa.

A arte do jogo é muito bonita, tanto em questão de desenhos quanto a modelagem dos personagens. Apesar de não serem extremamente fluidos, as animações de combate são interessantes e cada personagem e criatura tem golpes diferentes e interessantes. Sim, as criaturas também são importantes nessa conta, pois você pode encontrar itens que permitem se transformar em algumas delas enquanto anda nas cavernas. Os locais são separados em níveis de dificuldade, misturados em sua descida, e grandes trechos da caverna terminam em uma sala de chefe. O jogo, infelizmente, tem alguns problemas: você começa com apenas um de três personagens desbloqueados, e tem que descer muito nas catacumbas para abrir os outros. E cada personagem usa um tipo de arma especifico, mas é muito comum que uma ótima arma acabe aparecendo para um dos personagens que não está sendo usado ou que nem foi desbloqueado, tornando o drop inútil, já que você nem pode recolher ela para vender nas lojas da masmorra. A câmera também é um pouco bugada, focando no player 1.

Mesmo assim, Abyss tem algumas ideias extremamente interessantes e divertidas. Ao morrer, você não perde automaticamente o progresso. Você ainda tem a chance de jogar com um dos soldados que, apesar de mais fraco e limitado, pode ressuscitar o herói em um altar. E caso tenha encontrado um altar e feito acampamento, você respawna nele. O jogo suporta até 4 jogadores, em local ou online.

Risk of Rain

Desenvolvido pela Hopoo Games em 2013, com versões para PC, Mac e Linux. Uma nave de transporte é alvo de uma entidade alienígena, e na explosão, acaba lançando toda sua carga e passageiros por um planeta inteiro. No controle de um dos doze personagens, você deve explorar o planeta, matar criaturas, sobreviver a chefes, encontrar parte da carga que vai te ajudar, até que consiga voltar para a nave e retomá-la.

Embora você comece com apenas um personagem básico liberado, os outros 11 podem ser desbloqueados através de exploração, realização de conquistas, e até mesmo derrotando-os no cenário. Você vai atravessar diferentes cenários, como campos rochosos, ruínas antigas, pontes nevadas, cavernas gosmentas e etc, coletando vários tesouros divididos em diversas categorias, cada um com seu efeito único. Parece pouca coisa para você? Os artefatos vão dar uma carga de dificuldade a parte, permitindo que você altere dano, vida, e outras características.

O jogo tem suporte para até 4 jogadores, e se torna mais interessante conforme você combina diferentes artefatos e personagens. Quando um deles morre, permanece morto até que os outros jogadores passem para o próximo cenário.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

To The Moon

14:00:00 Escrito por Lucas , , ,
"Então, vocês podem? Podem me levar para a lua?"
"Nós não, mas você pode conseguir."
"Por que você quer ir para lá?"
"Eu não sei."

To The Moon é um jogo criado por Kan "Reives" Gao, lançado em 1 de novembro de 2011 pelo grupo de desenvolvimento Freebird Games. É um adventure feito no RPG Maker XP, embora não tenha nenhum elemento de RPG (tirando uma piada no começo do jogo). Como em outros adventures, você anda pelos cenários clicando nos pontos onde quer ir, e analisando objetos  e cenas para receber informações sobre eles.
 
Você controla dois funcionários da Sigmund Corp., uma companhia que usa tecnologia para mudar as lembranças de pessoas que estão a beira da morte, para que elas morram em paz, acreditando terem realizado seus sonhos. Em uma noite de trabalho usual, Dr. Neil Watts e Dra. Eva Rosalene dirigem até a casa de John H. Wyles, que assinou um contrato para ter seu maior sonho realizado. Johnny, como ele prefere ser chamado, está em estado terminal, inconsciente em sua cama, acompanhado apenas por sua médica pessoal e Lily, a governanta. Mas a verdadeira história se desenrola não na casa onde ele mora, perto de um farol antigo, e sim na própria mente de Johnny, onde você tem que mergulhar para primeiro descobrir qual é o desejo do velho homem, e após isso, para descobrir qual é a origem desse desejo.
 
Antes de continuar, quero dizer que vou evitar ao máximo dar spoilers nessa analise. Não porque eu vou mudar meu modo de escrever ou qualquer coisa do tipo. Joguei já tendo tomado um grande spoiler sobre a história, mas eu adorei esse jogo, e odiaria diminuir a experiência de acompanhar a história dele para qualquer um. Sem mais, vamos lá.
 
História
 
Toda a história está relacionada ao passado de Johnny, e Niel e Eva vão regredindo lentamente em sua vida para descobrir algo que nem mesmo o homem sabe: a origem do seu desejo de ir para a lua. Você vai sendo transportado através de vários objetos que estão relacionados a vida de John, como um guarda-chuva, flores, um pote de azeitonas, um ornitorrinco de pelúcia - pode parecer estranho no começo, mas a conexão entre essas coisas com momentos da vida do homem passam a fazer muito sentido quanto mais você volta. Começando de sua velhice, passamos pelos últimos momentos de sua mulher, a realização de um antigo sonho de construir uma casa perto de um farol, a preocupação do John com sua esposa, o casamento de ambos, sua época de colégio - tudo muito bem amarrado, e contando pequenos detalhes que começam a se encaixar em uma história mais e mais completa.
 
Mas nem tudo são flores. No meio do caminho, uma memória simplesmente parece estar com problemas. Imaginando que seja um erro da máquina, os doutores tentam colocar as referencias para que Johnny - ou suas memórias - sintam vontade de ir para a lua. Mas nada disso parece funcionar, e indo para essa segunda parte que o jogo desenvolve a melhor parte da história.
 
Personagens

Dra. Eva Rosalene é uma agente sênior de travessia de memórias da Sigmund Corp., extremamente profissional e racional. Ela parece ser mais atenta que Niel a pequenos detalhes, e diferente do parceiro, age mais pela razão do que pelas emoções.

Dr. Neil Watts é um especialista técnico da Sigmund Corp. e um personagem muito carismático. Brincalhão, esquentado, preguiçoso, emotivo. Diferente de Eva, sua postura diante da tensão é brincar ou reclamar. Durante o jogo, é possível perceber que ele tinha uma boa relação com o avô (falecido), e que ele parece ter algum tipo de problema de saúde, e toma  analgésicos fortes.

John H. Wyles é o 'protagonista' do jogo - sua vida, na verdade - e ao mesmo tempo o cenário. É interessante notar o quão bem o jogo se desenvolve, com pequenos detalhes que inicialmente parecem desconexos - desde um ornitorrinco de pelúcia, um coelho de origami, e até mesmo um coelho atropelado - se fecham perfeitamente, fazendo as memórias de Johnny se tornarem sempre conectadas, e fazendo com que acontecimentos do inicio de sua vida interfiram até o fim.
 
River E. Wyles é a esposa de John. No decorrer do jogo, você vê ela morrendo por se recusar a aceitar tratamento, fazendo repetidamente coelhos de origami para Johnny, e insistindo que ele termine a casa em vez de se preocupar com ela. A mulher parece ter algum carinho especial pelo farol próximo a casa, e tenta constantemente fazer John se lembrar de alguma coisa. Com o decorrer da história, você passa a entender cada vez mais o comportamento estranho que ela tem, assim como a importância que dá para o farol, a casa e ao próprio John.

O jogo ainda tem alguns personagens secundários, como Lily, Nicolas, um amigo de John, e a própria mãe dele. Mas falar mais de qualquer um deles traria spoilers maiores sobre o desenvolvimento da história, então prefiro falar apenas desses quatro.   

Jogabilidade e Música
 
A jogabilidade é um pouco diferente de outros jogos de RPG Maker. Como em um adventure, você vai usar o mouse para mover os personagens e interagir com o ambiente. Tirando por algumas partes especificas onde você usará o teclado (direcionais, WASD e barra de espaço), os comandos são bem simples. As vezes a movimentação point and click pode irritar um pouco, mas o jogo funciona muito bem.
 
Quando encontrar as lembranças, objetos que vão te guiar de uma memória a outra, vai existir um pequeno puzzle para "organiza-los". O jogo indica uma quantidade minima de movimentos necessários para completar o puzzle, mas isso não afeta em nada o jogo em si.
 
Quanto a trilha sonora, To The Moon é fantástico. Cada música do jogo é extremamente bem feita, e importante para a imersão. Destaques para Everything's Alright, cantado por Laura Shigihara, a mesma pessoa que escreveu e cantou a música de encerramento de Plants vs Zombies, e para To The Moon, a música que encerra o jogo. Ambas não são belas apenas por si mesmas, mas também acompanham os momentos mais comoventes do jogo.

Conclusão
   
To The Moon é definitivamente a história mais bonita e emocionante que eu já joguei. Não estou tentando diminuir a genialidade de jogos como The Last of Us ou Bioshock Infinite, mas... Esse jogo tem algo especial. Bem, eu já me estendi de mais. Joguem. Aproveitem essa história maravilhosa. O jogo vale cada centavo (mas só para ajudar, o lugar onde encontrei ele mais barato foi o GOG). O que me deixa ainda mais feliz é que To The Moon parece ser só o primeiro caso da Sigmund Corp., e quem sabe em breve Kan Gao não nos brinde com outra obra prima.
 

E se até agora você não se convenceu a jogar, ou achou que essa coisa de "jogo emocional" é coisa de fã de crepúsculo, relaxa. O jogo tem bons momentos de humor, e uma grande quantidade de referencias nerds espalhadas. Dê uma chance. E volte a comentar quando estiver chorando feito uma criancinha de 4 anos.

A imagem de Niel e Eva foi feita por Viivus. A imagem de John e River foi feita por Lavendra.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Contrast

14:00:00 Escrito por Nyu , , ,
Usar as sombras para pular de um lado para outro na cidade foi uma ideia interessante.

Alias, histórias que se passam nas épocas do cabaré me chamam muita atenção, seja pelas musicas da época, seja pelo clima noir, ou só pelos dramas dos personagens. E é exatamente esse clima que o jogo traz, e é isso que o faz interessante e encantador.

Contrast é um jogo indie criado pela Compulsion Games, lançado em Outubro de 2013 para Xbox 360, Xbox One, Playstation 3, Playstation 4 e PC.

Historia

Você controla Dawn, uma mulher acrobata misteriosa que vive em um mundo bizarro. Didi é a unica pessoa que pode vê-la, pois Dawn é a amiga imaginária da garota.

A história de Didi é um pouco complicada: sua mãe é uma das dançarinas e cantoras do cabaré da cidade, que separou-se recentemente de seu marido por motivos de dívidas e envolvimentos com pessoas estranhas. Mas a garota deseja que eles voltem a ficar juntos, e por isso ela resolve ajuda-los em seus problemas de adultos.


Porém, nem tudo parece ser tão simples assim. Por causa de suas atitudes, sua mãe está sendo intimada pela assistência social para cuidar melhor da garota ou então ela será retirada de sua guarda, fazendo com que a mulher imponha a garota alguns limites, que obviamente são quebrados pela peralta, com a ajuda de Dawn.

Mas após ouvir uma estranha conversa de sua mãe com seu pai, ela decide ir atrás do famoso ilusionista Vincenzo, seu ídolo, para descobrir algumas coisas que começaram a lhe incomodar. E nesta busca, ainda existe um mistério ao redor de Dawn, que talvez nem ela mesma saiba disso.

Personagens

Todos os personagens são um mistério e pouco sabemos sobre Didi e Dawn. A maioria são apresentados como sombras, e do pouco que sabemos como são fisicamente aparecem em cartazes e quadros espalhados pelos jogos, mas só dos mais importantes.

Didi é uma garota muito agitada e sempre está aprontando alguma. Ela sonha em ser uma dançarina
do cabaré assim como é sua mãe, e tem muito orgulho de sua amiga Dawn. Sempre conversa com a mulher, além de ser a única que consegue vê-la, tentando resolver os problemas dos adultos por mais simplória que seja sua performance. Ela é praticamente um dos maiores mistérios do jogo, principalmente depois de perceber a realidade ao seu redor (atenção, spoiler): Se existem dois mundos, como ela consegue habita-los ao mesmo tempo? E o que Vincenzo, seu provável pai, sabe sobre isso? São perguntas não respondidas no jogo, ou talvez sejam, nos detalhes que passam despercebidos numa primeira jogatina.

Dawn é a personagem controlável. Ela é muda, ou pelo menos nunca pronunciou uma palavra sequer, e segue todas as ordens da garotinha. A unica coisa que ela consegue ver das outras pessoas são suas sombras, mostrando a solidão que ela vive naquele mundo. Não sabemos praticamente nada sobre ela, não sabemos se é uma simples amiga imaginaria da garota ou algo mais complexo. A unica coisa que descobrimos é que ela entra em sombras, usando isso como seus poderes para interagir com aquele mundo bizarro em que habita.

Há a família de Didi. Sua mãe canta no cabaré perto de sua casa, é separada do marido por conta dos negócios em que ele se meteu. Ela tenta ser uma boa mãe para a garota, mas possui muitos problemas pessoais que tenta esconder dela para que não sofra. Seu pai sempre entra em rolos com pessoas estranhas, e já teve problemas na justiça por causa disso. Parece ser um homem que quer o sucesso com as coisas que ele sempre sonhou, mas tudo parece dar errado. Quer voltar para sua esposa, e fará de tudo para reconquistar a confiança dela.

Vincenzo é um ilusionista muito famoso, que tem uma grande proximidade com os pais de Didi. Ela nunca o conheceu pessoalmente, mas seu fascínio por ele é enorme, fazendo-a desobedecer sua mãe para poder vê-lo em seu espetáculo. Ela descobre algo importantíssimo sobre ele, já tirando conclusões precipitadas, corre atrás do homem pra descobrir toda a verdade. Ele está por trás de quase todos os mistérios do jogo.

Jogabilidade, músicas e gráficos

A jogabilidade tem seus altos e baixos. Os controles são fáceis e em poucos botões você faz sua ação, mas o problema reside na movimentação da câmera. É necessário ajustá-la para não ficar ultra sensível, e muitas vezes o angulo da câmera pode faze-lo cair das plataformas. Porém os pulos, um dos elementos principais do jogo, conseguem ser competentes, assim como a entrada nas sombras, e é neste momento que o jogo fica em 2D. A unica coisa estranha é a física do jogo, talvez por causa do clima de mundos paralelos seja proposital, afinal de contas, Dawn consegue levantar coisas que aparentemente deveriam ser pesados, mas são mais leves que uma bola de ping pong. Se isso é incomodativo? Vai depender de cada um, mas creio ser parte do mundo do jogo.


Os gráficos são bons e todos os personagens bem modelados e bem caracterizados para a época em que a história se passa. No entanto, para o ano de lançamento, ele parece um jogo muito polido de Playstation 2. Mas uma coisa é certa: a concept art é linda. Assim como muitas outras artes feitas para o jogo. Normalmente ele é jogado em 3D, mas quando precisamos entrar nas sombras, ele se torna 2D, embora isso não traga qualquer diferença no jogo.

As músicas são um show a parte. O clima dado é dos tempos do cabaré. Todas as músicas, tocadas ou cantadas, são bem marcantes e acertam em todos os momentos. É um tipo de música que você pega para por em sua playlist e ouvi-la várias vezes. Elas se encaixam perfeitamente no ambiente e nas situações, foi um dos elementos mais chamativos do jogo.

Minha opinião

Contrast é um jogo bacana de plataformas e puzzles em 3D, com uma história divertida e intrigante, cujo final surpreende. A forma de utilizar as sombras dos objetos para resolver puzzles, chegar em lugares difíceis, etc foi legal, porém, além do tempo de jogo ser curto - uma média de 4 horas -, os puzzles não são tão desafiadores, o que pode tirar um pouco o fator replay, pois uma vez sabendo como faz para resolver algo, o jogo se torna muito mais curto do que já é.

Eu gostei, mas acho que poderiam ter aproveitado melhor a temática do jogo, explorando mais a ideia do uso de sombras e da história. No entanto, eu recomendo para aqueles que gostam de de uma história intrigante.

sábado, 9 de maio de 2015

Ib

14:00:00 Escrito por Lucas , , , ,

Seus pais te levam na exposição de um artista chamado Guertena. Você começa a explorar o lugar, mesmo sem entender totalmente o título de algumas obras. Ao se aproximar de um dos maiores quadros, a luz da galeria falha. Você volta a andar pelo lugar, mas todos sumiram. E então a luz acaba, e seu pesadelo começa... 

Ib é um jogo independente japonês, lançado em 2012 e criado por Kouri, feito com o RPG Maker 2000, lançado gratuitamente e traduzido para o inglês por vgperson. Descobri esse jogo enquanto navegava pelo Zerochan, e me interessando pelos personagens. Acabei achando o link para baixá-lo.

Temos uma séria do jogo em nosso canal, confira!

O jogo é baseado na exploração dos ambientes e resolução de puzzles, que se tornam mais extensos a cada área. O clima é sombrio, tanto pelo ambiente claustrofóbico quanto pela trilha sonora.

Seu objetivo não é entender o que te levou para dentro da galeria, mas sim, junto com outros dois personagens, encontrar uma saída daquele local.

Personagens

Ib, também chamada de Eve, é a personagem principal. Ela tem cerca de 9 anos, e acaba por se perder na galeria “amaldiçoada”. Graças a sua idade, ela não entende muitos ideogramas da língua japonesa (original do jogo), sendo incapaz de entender completamente alguns textos. Parece ser uma garota tímida, falando apenas quando a perguntam algo, mas ainda assim demonstra coragem o suficiente para andar sozinha naquele lugar terrível. Ela carrega um pequeno lenço com seu nome bordado, um presente de aniversário.


Garry e o primeiro companheiro que você encontra na galeria. Um homem jovem, provavelmente com mais de 20 anos. Ele tem o dobro da altura de Ib, mas isso não impede que ele se assuste mais facilmente que a protagonista. Apesar disso, ele tem uma postura protetora, ajuda a garota a empurrar coisas pesadas e a entender palavras que ela não conhece.

No jogo em japonês, Garry fala no feminino. Somado a sua aparência, esse fato compõe um personagem afeminado. Em certas áreas, ele também tem uma visão diferente dos objetos, vendo terror onde Ib vê coisas fofas.


Mary é uma garota loira que você encontra em outra parte da galeria. Ela é muito agitada e animada, e aparenta também ter cerca de 9 anos. Desde o início, a garota parece gostar muito de Ib, mas tem problemas com Garry estar sempre ao lado dela. Mary também tem algumas atitudes esquisitas conforme o jogo se desenrola.

Ela parece conhecer a galeria muito bem, e não ter nenhum medo de suas obras. Mary esconde um segredo importante para a história, e está disposta a tudo para guardá-lo.


Inimigos

As obras sombrias de Guertena não são apenas um enfeite para o cenário. Elas são parte preciosa dos puzzles e também muitos dos inimigos que vão te atrapalhar durante o jogo. Existem quatro tipos mais presentes:

Manequins são esculturas humanoides sem cabeça, todas apresentando forma feminina de pele completamente negra e trajando vestidos. Essa obra se chama “Morte do Individual” na exposição.

Cabeças brancas de manequim, com olhos abertos e sem cabelos. São muito mais presentes como um obstáculo perturbador do que como inimigos.

Damas são quadros de belas mulheres, representadas em verde, vermelho, azul e amarelo. Figuras femininas se arrastando para fora da moldura que perseguem os personagens e vez ou outra correm. Essa obra se chama “Dama em 'cor'” na exposição.

Bonecas de pele azulada, olhos vermelhos e cabelos negros, com vestidos de varias cores. São talvez os inimigos menos perigosos e mais horripilantes durante o jogo. O motivo? Descubra quando os sinos tocarem...

Flores

Os três personagens carregam uma rosa cada um. Vermelha para Ib, azul para Garry e amarela para Mary, as rosas medem a energia dos personagens. Como você não pode atacar, precisará correr desesperadamente dos perigos para proteger as pétalas das garras de obras vivas.

Você pode encontrar vasos de água nos corredores, marrons e azuis. Os primeiros podem ser usados uma vez, e os segundos são ilimitados. Usar um vaso restaura completamente a energia da rosa.

Existem alguns detalhes interessantes sobre as rosas no jogo:
  • O cabelo de Garry se assemelha a uma rosa virada de cabeça para baixo. As mechas mais escuras seriam as pequenas folhas na base da flor.
  • As três flores representam as três cores primarias, sendo a de Ib magenta e a de Garry ciano.
  • Garry tem 10 pétalas em sua rosa, enquanto Ib tem apenas 5. Provavelmente isso ocorre pois Garry é mais velho. A quantidade de pétalas da rosa de Mary não é mostrada em nenhum momento.
Além disso, na línguagem das rosas, cada uma das flores tem um significado:
  • Rosa vermelha simboliza amor verdadeiro.
  • Rosa azul simboliza mistério, alcançar o impossível e amor a primeira vista.
  • Rosa amarela é um símbolo ambíguo, simbolizando amizade, pedido de desculpas e emoções intensas, mas também inveja, infidelidade, coração partido, amor perdido e traição extrema.
Galeria

Inicialmente apresentado como um lugar pequeno, com dois andares e várias obras, é digno de nota o cuidado que o criador teve com a arte. Os quadros e esculturas são nomeados, e alguns até mesmo contam com imagens detalhadas. Também existem livros dentro da galeria “maldita” contando sobre o significado de cada obra e informações sobre Guertena.

O que é intrigante é a escolha das datas, todas em torno do ano de 6200. A escolha de uma data tão avançada para um mundo que aparenta ser tecnologicamente tão comum (e pelas roupas, até um pouco antigo) me surpreende, e ainda não descobri um motivo para isso.


Finais

Esse trecho do texto vai conter spoilers dos finais de Ib, então se pretende jogar, pule para a conclusão.

Ib é um jogo curto, com cerca de 2:30 horas de gameplay, ou até menos caso você já conheça os puzzles. Ainda assim, ele conta com 7 finais diferentes, interessantes o suficiente para fazer você jogar novamente, ou ao menos procurá-los no Youtube. Cada um desses finais pode ser alcançado tomando diferentes decisões durante o jogo.

Ib All Alone pode ser conseguido de quatro formas diferentes, todas elas levando ao mesmo resultado: Ib fica presa sozinha dentro do mundo da galeria. É interessante notar que nesses finais, versões falsas da mãe de Ib, do Garry, e um sonho com seu aniversário ocorrem, deixando claro o quão poderosa a galeria é, e que as obras não são sua única forma de manifestar esse poder.

Em A Painting's Demise você controla Mary logo após Garry perder sua sanidade na sala das bonecas e Ib perder a vontade de continuar. Ela encontra o caminho até a obra “Mundo Fabricado”, embora avisos surjam nas paredes dizendo que ali é o lugar dela. Quando a garota finalmente pisa no mundo real, a galeria está totalmente vazia. O lugar vai ficando cada vez mais escuro, e a garota entra em desespero, até que finalmente quando a tela está totalmente preta, ouvimos passos e Mary chama por seu pai. Sem uma ancora, as obras da galeria pertencem apenas à galeria, e seu “coração fabricado” não permite que Mary realize seu maior sonho.

Welcome to the World of Guertena ocorre caso você tenha se tornado amiga de Mary antes de Garry e Ib perderem a sanidade na sala das bonecas. A loira volta, dizendo que não deseja abandonar sua primeira amiga, mesmo que isso a impeça de realizar seu sonho. Podemos ver todos os tipos de inimigos que encontramos na galeria dentro da sala, e então Mary pega a flor de Garry e joga para a “Olhos Vermelhos”. Ela diz que eles podem brincar na galeria para sempre. Esse final mostra o quanto o ciúme de Mary pode se tornar doentio.

Together, Forever ocorre quando Garry entrega sua rosa para Mary em troca da rosa de Ib. A loira brinca de “bem me quer, mal me quer” com a flor, matando o rapaz no processo. Quando faz seu caminho de volta para o mundo real, Ib encontra Mary com seus pais, demonstrando que o poder da galeria pode até mesmo alterar a realidade. A garota, ao matar Garry, tomou seu “direito” de estar no mundo real. Ela ainda diz que estará com Ib para sempre


Forgotten Portrait se passa com a morte de Garry. Ib volta ao mundo normal sozinha e acaba encontrando uma pintura do homem dormindo na galeria. Ela sai junto com a mãe para verem outras obras juntas. Esse é um dos meus finais favoritos, tanto pela sua representação, quanto pelos quadrinhos que fãs do jogo fizeram graças a ele.

Memory's Crannies e Promise of Reunion são relacionados. Embora em ambos Ib e Garry voltem para o mundo real ao queimar o quadro de Mary, no primeiro eles não tem nenhuma lembrança do que aconteceu na galeria, e provavelmente nunca mais se encontrarão. Já no segundo, com um forte laço emocional, Ib entrega seu lenço a Garry para limpar um corte. O lenço, no mundo real, desperta as lembranças sobre todo o ocorrido, fazendo com que eles prometam se encontrar novamente.

Graças a diversas artes, existem pessoas que acreditam que Garry e Ib tem sentimentos românticos, ou até que o rapaz é pedófilo. É bom deixar claro que não existe a menor sugestão disso no jogo. Eles se apoiam um ao outro em um momento difícil. Garry é extremamente zeloso com Ib, protegendo-a dos perigos da galeria com todas suas forças, mas isso é porque ela é uma criança pequena. A garota parece desenvolver afeição por ele graças aos momentos difíceis que passaram juntos, mas o jogo jamais leva isso adiante. Qualquer pensamento além disso cabe apenas ao jogador e aos fãs.

Arte por Shiupika
Conclusão

Ib é meu um de meus jogos favoritos de RPG Maker. Ele aborda a relação entre três personagens e a forma como eles tocam a vida uns dos outros de forma interessante e ampla para um jogo tão rápido. O ambiente claustrofóbico dos corredores e a falta de ação podem não ser do agrado de alguns, mas isso não diminui a qualidade do jogo. Ib é um jogo que definitivamente vale a pena ser jogado.

Como único defeito, eu farei coro a outros fãs do jogo: gostaria de ver um final em que todos eles pudessem estar juntos no mundo real. Mas nem sempre boas histórias terminam com finais felizes, então eu aceito a história que me foi contada sem arrependimentos, e dou minha nota:


Você pode baixar a versão 1.7 em inglês, ou a versão 1.5 em português. Boa semana e bom jogo.